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Sistema FIEB

O Motor da Indústria Baiana

 

A indústria baiana, na maioria dos seus segmentos produtivos, tem experimentado, nos últimos anos, um crescimento constante e um incremento competitivo, resultado de investimentos em tecnologia e qualificação profissional. E uma entidade possui papel de destaque neste processo de desenvolvimento industrial - a Federação das Indústrias do Estado da Bahia. A FIEB atua na defesa dos interesses da atividade industrial na região a mais de meio século, promovendo estudos, projetos e ações relacionados ao setor. O Superintendente de Relações Institucionais da Federação, o administrador Carlos Gouveia, concedeu uma entrevista à Revista Destaque, falando sobre a atuação do Sistema FIEB no fomento à indústria baiana.



Destaque - Sr. Carlos Gouveia, qual o foco de atuação da Federação das Indústrias do Estado da Bahia?

Carlos Gouveia - A FIEB foi criada com o intuito de representar os interesses da indústria baiana e prestar serviços a ela. Para isto, nós temos que nos relacionar com várias entidades e organismos, como, por exemplo, os poderes públicos. Eles são responsáveis por uma série de ações que têm efeito direto sobre o desempenho da indústria: a questão de carga tributária, as questões ligadas ao meio ambiente, ao chamado Custo Brasil, à infra-estrutura. Temos contato permanente com os poderes Executivo e Legislativo, com o Judiciário, com sindicatos...

 

Destaque - Então, a FIEB é uma entidade articuladora que tenta integrar os diversos atores que compõem o cenário econômico industrial da Bahia.

Carlos Gouveia - Sem dúvida. Nós temos um contato freqüente com a Confederação Nacional da Indústria, com outras representações de classe, como a do Comércio, da Agricultura, dos Transportes, com entidades como o SEBRAE, com Secretarias de Governo, como a SEPLANTEC, o SETRAS, a SEINFRA, a Secretaria de Indústria e Comércio...

 

Destaque - Qual a missão da FIEB? Quando tem ela foi fundada?

Carlos Gouveia - Ela foi fundada em 1949. Nós temos feito, nos últimos tempos, um trabalho intenso de gestão interna, a partir do qual formulamos a seguinte missão: representar os interesses da indústria na Bahia e promover ações integradas para a melhoria da competitividade de suas empresas e da qualidade de vida do trabalhador, visando o desenvolvimento sustentável. E uma coisa importante que deve ser frisada é que nós da FIEB temos trabalhado muito no sentido de atender às demandas da pequena e média indústria, porque elas também estão sujeitas às mesmas pressões e exigências que as grandes, e, na maioria dos casos, não têm estrutura adequada para lidar com as situações que se colocam. Há um desconhecimento grande daquilo que a Federação faz. E o desconhecimento é maior ainda por parte da pequena e média empresa. Então, esta é uma oportunidade de divulgarmos o trabalho das entidades que compõem o Sistema FIEB, porque, afinal, nós só podemos trabalhar se tivermos a presença e a participação do industrial. Nós precisamos saber o que o industrial quer, quais os seus interesses e necessidades, para poder representá-los. Nós queremos a participação de mais e mais pessoas de micro e pequenas empresas na Federação, para que possamos desenvolver mais ações específicas para este segmento e contribuir com o crescimento da indústria baiana como um todo.

 

Destaque - O que a FIEB tem feito no sentido de fomentar a indústria baiana?

Carlos Gouveia - O fomento industrial é uma prerrogativa do Estado, ou seja, quem atrai empresas, quem estimula o crescimento é o Estado. O que a FIEB faz é se articular com o Estado, para promover, em conjunto com ele, ações de fomento industrial. Por exemplo, a gente fez, por encomenda do Governo, um projeto chamado Projeto Estratégico de Desenvolvimento Industrial do Estado da Bahia, cujo objetivo era definir as ações necessárias para um novo ciclo de desenvolvimento industrial sustentável. Muitas ações previstas nele estão em andamento. Vamos falar de uma delas, o Programa de Densificação Industrial e Estruturação Produtiva do Estado. O que é isto? Nós precisamos atrair para a Bahia empresas que, digamos assim, sejam uma continuidade de determinadas linhas de industrialização do Estado. Por exemplo: a Bahia tinha, a bem pouco tempo atrás, um perfil industrial de produção de matérias primas, de commodities, como é o caso da produção do Pólo Petroquímico. Em Camaçari, são produzidos produtos petroquímicos básicos, que são transformados por empresas que não estão na Bahia. O Pólo produzia, até bem pouco tempo atrás, quase a metade dos Petroquímicos do país, pelo menos antes da expansão da COPESUL. Hoje, deve estar produzindo algo em torno de 40% dos petroquímicos básicos - e transformando muito pouco disso, talvez 5%. Então, diante desta situação, o que é que nós fizemos? Junto com o Governo do Estado, elaboramos um programa de atração de empresas transformadoras para a Bahia. O Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Plástico, tem 5 mil transformadoras deste produto. Têm apenas 50 empresas deste tipo aqui na Bahia. Nós produzimos a matéria-prima, mas não produzimos o produto de consumo final. É preciso densificar o processo industrial no estado, ou seja, dar prosseguimento ao processo produtivo em determinados segmentos. E, para atuarmos neste sentido, desenvolvemos os Programas Bahiaplast, Pró-Cobre e o Pró-Fibra, que pretendem justamente atrair indústrias transformadoras que possam completar a cadeia industrial. Outra ação importante de fomento industrial diz respeito à manutenção das indústrias já estabelecidas aqui. Nós não podemos descuidar das empresas que já existem no estado, concorda? Quando falamos em atração de novas empresas, de investimentos, estamos falando da oferta de incentivos fiscais para que elas venham se instalar aqui. Isto não é uma prática do Governo da Bahia, somente. Todos os estados brasileiros têm os seus programas de atração de investimentos. Isto é fato. Agora, há também que se desenvolver dispositivos que favoreçam as indústrias locais, para que aja um crescimento também das empresas sediadas no estado. Nós temos que trabalhar para que venham novas indústrias, sem dúvida. Mas trabalhar também para manter em operação as que já estão no mercado. São estas indústrias que estão gerando empregos, impostos e dividendos de maneira imediata.

 

Destaque - Que aspectos estão envolvidos na atração de novas indústrias para o estado?

Carlos Gouveia - Bem, quando o industrial vai decidir onde montar a sua fábrica, obviamente, irá optar por aquele lugar que apresente menor custo para ele, tanto de implantação, quanto de posterior operação. E isto envolve uma série de condições: localização, isenções fiscais, tributárias e financeiras, proximidade do mercado, disponibilidade de profissionais qualificados, oferta de tecnologia, infra-estrutura... Estas condições têm que ser favoráveis, senão nenhuma indústria vai querer vir para a Bahia.

 

Destaque - A indústria baiana efetivamente tem potencial competitivo? Ela tem alcançado um bom desempenho? Quais os principais destaques?

Carlos Gouveia - Sem dúvida. A indústria baiana é competitiva, inclusive mundialmente, e não somente as grandes empresas são competitivas, mas as pequenas e médias também. A indústria baiana se concentra basicamente, em termos de participação no PIB, na indústria química e petroquímica. Em termos de absorção de mão de obra e de desconcentração industrial, têm muito destaque, hoje em dia, as empresas de calçado. E sem dúvida nenhuma, estão crescendo em importância, a indústria alimentar e a indústria automotiva, com a vinda da Ford. E um dado interessante é que a maioria destas indústrias são voltadas para a exportação. E nós percebemos a receptividade do mercado internacional à nossa indústria. Comprovadamente, a indústria baiana é competitiva e em termos globais. O fato de estarmos e permanecermos no mercado internacional por tanto tempo e com uma representatividade tão grande é um sinal claro e evidente disto.

 

Destaque - O Centro Internacional de Negócios (CIN) tem tido participação ativa na expansão das exportações industriais na Bahia?

Carlos Gouveia - O Centro Internacional de Negócios tem o propósito básico de apoiar, facilitar e ser um catalizador do processo de exportação. E exportação não é um processo fácil. Você precisa definir estratégias e agir de maneira adequada para conseguir fazer parte dele. Existem problemas de ordem comercial, de natureza burocrática, questões de natureza financeira... Além do mais, é preciso criar uma mentalidade de exportação entre o empresariado. O CIN tem a proposta de facilitar este processo, informando, prestando assessoria, facilitando contatos, indicando soluções para os problemas. Existe um CIN em cada estado brasileiro, formando uma rede de troca de informações, com um banco de dados muito útil para a exportação no Brasil. Qualquer produtor que deseje saber mais sobre o processo de exportação pode recorrer a uma unidade do CIN.

 

Destaque - Sr. Gouveia, trace um panorama da indústria no país.

Carlos Gouveia - Bem, quando vocês perguntaram se a indústria baiana era competitiva, eu fui bastante enfático ao afirmar que sim. Não quero com isso criar uma idéia de que está tudo maravilhoso. A indústria baiana - e a nacional - poderiam ser muito mais competitivas se nós tivéssemos uma solução para o Custo Brasil, em primeiro lugar. Ele imprimi um impacto direto na carga tributária, que, por sua vez, exerce um impacto direto no preço dos produtos. Com preços mais competitivos, nós poderíamos estar vendendo muito mais no exterior. Outro problema: a taxa de juros praticada no país está na extratosfera. A própria situação de infra-estrutura, dos transportes no Brasil é um problema. E diz respeito à integração logística do país. Um processo de desconcentração industrial está sendo incentivado, mas, para isto, é preciso que se tenha uma malha de transportes intermodal, com alternativas do tipo transporte ferroviário, hidroviário e até aéreo. Você não pode promover uma desconcentração industrial, sem que se tenha uma rede interligando os pontos de escoamento da produção. Aqui na Bahia, nós estamos desenvolvendo um projeto grande com o governo do estado, que se chama Projeto de Integração Logística, para tentar solucionar esta questão. Então, recapitulando. O setor industrial é competitivo? É. E seria muito mais se tivéssemos soluções para as questões do Custo Brasil e para as questões de logística.

 

Destaque - Quais são as entidades que compõem o Sistema FIEB?

Carlos Gouveia - O Sistema Fieb é composto pelo SESI - Serviço Social da Indústria, o SENAI, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, pelo IEL - Instituto Euvaldo Lodi, pelo Centro das Indústrias do Estado da Bahia e pela FIEB. Todas estas entidades são juridicamente independentes, mas compõem um sistema integrado e atuam juntas.

 

Destaque - Qual a atribuição de cada uma delas?

Carlos Gouveia - Vamos começar pelo SENAI. Ele é responsável pelo preparo de profissionais qualificados para a indústria. Por exemplo, nós formamos turmas para projetos determinados, como o Projeto Automotivo Ford, os grupos de trabalhadores para a Monsanto... E este trabalho não é feito somente para indústrias grandes, mas também para as de pequeno e médio porte. O SENAI tem diversas linhas de atuação em relação à formação e qualificação de trabalhadores para a indústria. Já o SESI provê serviços para as indústrias nas áreas de educação escolar formal, saúde e lazer para o trabalhador e sua família. Ele atende especificamente o trabalhador, levando a qualidade de vida e a educação a ele. O Centro das Indústrias é uma entidade que, assim como o FIEB, tem o propósito de representar os interesses da indústria baiana, mas possui uma organização diferente da FIEB, no que diz respeito a como se processa a filiação a ele. A FIEB, por lei, é considerada uma organização de representação superior, à qual se filiam apenas sindicatos. Ela tem, hoje, 36 sindicatos filiados. Já ao CIEB se filiam empresas industriais diretamente, certo? Atualmente, são 180 empresas associadas. O CIEB é que é o responsável por levar os serviços do Sistema FIEB ao interior do nosso estado. Ele tem contatos com as associações industriais do interior, de Feira de Santana, Vitória da Conquista, Barreiras, etc, onde ele identifica as necessidades da indústria nestas diversas regiões e leva os serviços e soluções que podem ser implementados através do Sistema.

 

Destaque - O que viabiliza financeiramente a existência e a atuação da FIEB, do SENAI, enfim, de todas as instituições que compõem o Sistema?

Carlos Gouveia - Todas as entidades que compõem o Sistema FIEB são organizações sem fins lucrativos. De onde vêm os recursos para o financiamento das suas ações? Primeiro: alguns recursos provêm da arrecadação sobre as folhas de pagamento das empresas. Por lei, as empresas recolhem um percentual de sua folha de salários para o SENAI. Outra fonte de recursos são programas especiais que desenvolvemos e que, depois, vamos captar recursos junto a instituições e fundos, como o FAT, o Fundo de Amparo ao Trabalhador. Formulamos um projeto, por exemplo, para um treinamento para a indústria do vestuário. Apresentamos o projeto no formato da lei, ele é aprovado, e então, recebemos o recurso específico. A terceira fonte são os programas e cursos de oferta pública, que vendemos ao público em geral ou às empresas. Para resumir, os recursos provêm de três fontes: recursos garantidos pela lei, oriundos da arrecadação sobre as folhas de pagamento, o desenvolvimento de projetos especiais, onde recorremos a fontes específicas, como o FAT, e a venda direta de produtos e serviços ao público em geral, sejam a pessoas físicas ou jurídicas.

 

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